quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Igreja de Cristo

Definição de igreja
O termo "igreja" é uma tradução da palavra grega "ekklesia" que significa "os chamados para fora". Nos tempos antigos, na Grécia, a palavra "ekklesia" se referia a um grupo de cidadãos livres convocados para uma assembleia com a finalidade de tratar assuntos públicos. É algo semelhante às assembleias nos condomínios residenciais dos nossos dias só que com uma dimensão muito maior. Portanto, "ekklesia" era uma assembleia dos cidadãos de um Estado autônomo (cidade ou região). Todavia, o Novo Testamento deu um conteúdo espiritual para a palavra "ekklesia" que passou a significar "um povo chamado para fora do mundo pecaminoso". Das 114 vezes que a palavra "ekklesia" aparece no Novo Testamento apenas três é com o sentido secular acima citado (At 19:32,39,41) e outras duas como uma referência à assembleia dos judeus (At 7:38; Hb 2:12).

Também precisamos esclarecer o que Igreja não é:

1)     Não é uma denominação. É comum se referir às denominações como igrejas, essa maneira de usar a palavra "igreja" não aparece nas Escrituras. Henry C. Thiessen, teólogo batista, afirmou em seu livro “Palestras em Teologia Sistemática” que não há na Bíblia Sagrada relato de nenhuma denominação e que "devemos sempre nos lembrar que originalmente o Senhor preveniu contra tais divisões (1Co 1:1-17)” (Thiessen, 291); 
2)     Não é uma continuação melhorada do judaísmo, embora haja muitos irmãos que assim entendem. Compreendemos que o cristianismo é um vinho novo que foi colocado em odres novos (Mt 9:17);
3)     Não é o Reino. Agostinho foi que começou a ensinar que a Igreja é o Reino de Deus sobre a terra, isso no início do século V (Willey, 474). É a Igreja Católica que faz essa confusão. Alguns em nossa família na fé também estão confusos e deles divergimos. O Reino é muito mais do que a Igreja. O Reino é o domínio ou governo de Deus, existe desde a eternidade, é invisível e espiritual. Quando a Igreja foi fundada em Atos 2, cerca de 33 d.C., o Reino já existia:
a)     A Igreja começou com Jesus, é composta dos discípulos de Cristo e anuncia as boas novas do Reino (At 8:12; 19:8; 20:25; 28:23,31);
b)     A Igreja testemunha do Reino (Mt 24:14);
c)      A Igreja é o instrumento do Reino por onde o poder do Espírito Santo é manifestado através dos crentes (Mt 10:8; Lc 10:17);
d)     A Igreja é a guardiã do Reino (Mt 16:19).

igreja universal e local
No Novo Testamento a palavra "igreja" é aplicada a um grupo de cristãos de qualquer tamanho:

1)     Um pequeno grupo que se reúne em uma casa (Rm 16:5; 1Co 16:19);
2)     Em uma cidade inteira (1Co 1:2; 2Co 1:1; 1Ts:1);
3)     Em uma determinada região geográfica (At 9:31);
4)     Ou no mundo inteiro (Mt 18:18; Ef 5:25).

Em sentido universal ou geral a "igreja" é representada por algumas figuras como:

1)      Edifício de Deus (1Co 3:9,16,17; 2Co 6:16; Ef 2:20,22; 1Tm 3:15);
2)      Corpo de Cristo (Ef 1:22-23; 3:6; 4:4,12,16; 5:23,30; Cl 1:18,24; 2:19; 3:15; 1Co 12:12-27; Rm 12:4);
3)      Noiva de Cristo (2Co 11:2-3; Ef 5:24-25,31-32; Ap 19:7) entre outros.

Portanto, se conclui que a Igreja é universal (no mundo inteiro) e local (casa, cidade ou região geográfica).

O início da igreja e sua organização
A Igreja no sentido universal e o surgimento da primeira igreja local são coincidentes. A Igreja foi:

1)     Fundada por Cristo (Mt 16:18; At 20:28b);
2)     Estabelecida na cidade de Jerusalém, na Palestina, atual Israel (At 1:2);
3)     Por volta do ano 33, nos dias dos reis romanos (Dn 2:44; At 2:1-47).

Portanto, nenhuma denominação ou grupo sectário tem o direito de dizer que é a Igreja verdadeira ou a única igreja (Thiessen, 296).
A Igreja em Jerusalém foi a primeira igreja local e:

1)     Reunia-se no Templo e de casa em casa (At 2:46-47);
2)     O número de membros passou dos primeiros 120 discípulos para 3.000 (Atos 2:41);
3)     Depois o número de homens subiu para quase 5.000 (At 4:4);
4)     Tinha um padrão doutrinário definido, os irmãos tinham comunhão e oravam juntos (At 2:42);
5)     Praticavam o batismo nas águas (At 2:41);
6)     Observavam a Ceia do Senhor (At 2:42,46);
7)     Mantinham registro do número de membros (At 2:14,41; 4:4);
8)     Reuniam-se para o culto (At 2:46);
9)     Socorriam os necessitados (At 2:44-45);
10) Os apóstolos eram seus líderes, mas também escolheram diáconos (At 6:1-7).
           
Logo outras igrejas locais foram estabelecidas na:

1)     Judéia (Gl 1:22; 1Ts 2:14);
2)     Samaria (At 8:1,4-25);
3)     Antioquia da Síria (At 11:20-30; 13:1);
4)     Por toda a Ásia Menor, Macedônia, Grécia, Itália, Espanha e vários outros países foram estabelecidas e organizadas igrejas locais.

Os princípios de organização vistos na Igreja em Jerusalém acima, também são identificados nas demais. São evidências que indicam o fato da organização das igrejas os seguintes fatores:

1)     Em todas elas eram eleitos oficiais eclesiásticos (At 14:23; Tt 1:5):
a)     Na Igreja em Jerusalém além dos apóstolos foram eleitos diáconos (At 6:1-7);
b)     Na Igreja em Éfeso havia presbíteros (At 20:17);
c)      Na Igreja em Antioquia profetas e mestres (At 13:1);
d)     Na Igreja em Filipos bispos e diáconos (Fp 1:1);
2)      Tinham dia certo para a adoração e celebração congregacional (Jo 20:19,26; 1Co 16:2; At 20:7);
3)      Mantinham um padrão de conduta e exerciam a disciplina (1Co 14:34; Mt 18:17; 1Co 5:13; Rm 16:17);
4)      Levantam recursos para a obra do Senhor (1Co 16:1-2; 2Co 8:7-9; 9:6-7);
5)      Enviavam cartas de recomendação umas às outras (At 18:24-28; 2Co 3:1; Rm 16:1-2; At 15:22-29).

Tudo isso evidencia algum tipo de organização (Thiessen, 297).

O fundamento e o cabeça da igreja
Certa vez Jesus perguntou aos discípulos o que o povo dizia sobre quem ele era (Mt 16:3-19). Depois de ouvir as várias respostas, Jesus fez a mesma pergunta para eles. Pedro disse: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16:16). A esta declaração Jesus respondeu: "E sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16:18b). Várias outras passagens se referem a Cristo como uma rocha (Is 28:16; 1Pe 2:6; At 4:11-12) e o apóstolo Paulo em 1Co 3:10-17 afirma quem é o fundamento da Igreja dizendo: "Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo" (1Co 3:11).

Alexander Campbell, o principal teólogo da Igreja de Cristo no século XIX, foi inquirido sobre quem é cristão e ele respondeu dizendo:

“Um cristão é todo aquele que crê em seu coração que Jesus de Nazaré é o Messias, o Filho de Deus vivo, que se arrepende de seus pecados e lhe obedece em todas as coisas de acordo com a medida do seu conhecimento e com toda sua vontade.”

Para ele o reconhecimento de Cristo como Messias era a base para se unir à igreja. Assim, o essencial para nós é a confissão de fé afirmando o senhorio de Jesus Cristo. Como Alexander Campbell, também ensinamos que não se deve exigir nada mais para aceitar alguém na comunhão, pois a irmandade não pode ser condicionada a credos humanos. Portanto, o fundamento da Igreja é a afirmação de Pedro quando confessou a Cristo como o Messias, o Filho do Deus vivo. Jesus Cristo também é o Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo, e somente a Ele a igreja está subordinada (At 2:14-35; Ef 5:22-23; Cl 1:13-20).

O governo da igreja
As denominações ou comunhões cristãs têm muitas formas de governo:

1)     A Igreja Católica Romana tem um governo mundial sobre a autoridade do Papa;
2)     A Igreja Episcopal tem bispos com autoridade regional e acima deles os arcebispos;
3)     A Igreja Presbiteriana dá autoridade aos presbíteros na igreja local, aos Presbitérios a autoridade regional e aos Concílios a autoridade nacional;
4)     As Igrejas Batistas, Congregacionais e muitas outras igrejas independentes não têm nenhuma autoridade acima da igreja local e a maioria delas têm um só pastor com um grupo de diáconos.

Embora alguns irmãos insistam que o Novo Testamento não prescreve nenhuma forma específica de governo das igrejas, mas sim princípios gerais de organização, nós entendemos que há um modelo neotestamentário: o governo congregacional representativo (a pluralidade de presbíteros na igreja local com funções de ensino e governo auxiliados pelos diáconos). O Novo Testamento mostra claramente essa pluralidade de presbíteros:

1)     Em cada igreja (At 14:23);
2)     Em cada cidade (Tt 1:5);
3)     “Chame os presbíteros da igreja” (Tg 5:14);
4)     “Rogo-vos, pois, aos presbíteros que há entre vós” (1Pe 5:1).

Os presbíteros dirigem a igreja local e têm autoridade para isso conferida pelo Senhor Jesus (At 20:28; Hb 13:17). Nesse sistema há sempre mais de um presbítero e o "pastor" ("pastor titular" ou "presidente") é um deles. Ele não tem autoridade sobre os demais nem trabalha para eles como empregado. Sua função é diferenciada pelo fato de trabalhar em tempo integral na "pregação e ensino" (1Tm 5:17) e desse trabalho deriva parte ou toda a sua renda (1Tm 5:18).

A missão da igreja
A missão das Igrejas de Cristo sobre a terra é, prioritariamente, glorificar a Deus (Rm 15:6,9; Ef 1:5-6,12,14,18; 3:21; 2Ts 1:12; 1Pe 4:11). Glorificamos a Deus:

1)      Adorando-o (Jo 4:23-24; Fp 3:3; Ap 22:9);
2)      Anunciando as boas notícias do Evangelho aos perdidos (Mc 16:15; At 5:42; 8:4);
3)      Edificando os santos (Ef 4:15-16; 1Co 14:26);
4)      E ajudando os pobres e necessitados (1Tm 5:816; Tg 1:27; At 6:1-6; Gl 6:10).

A colaboração entre as igrejas
Nos tempos do Novo Testamento cada igreja local era independente da outra, mas mantinham relações cooperativas umas com as outras. A Bíblia Sagrada fornece os princípios para a cooperação entre as igrejas:

1)     Na solução de problemas como na eleição de Matias como substituto de Judas (At 1:12-26);
2)     Na assistência às viúvas pobres (At 6:1-6);
3)     No relato da conversão dos primeiros gentios (At 11:1-18);
4)     Nas questões doutrinárias polêmicas com a formação do primeiro concílio das Igrejas de Cristo (At 15:1-35);
5)     Na expansão do Reino de Deus com o envio de missionários (At 13:1-3);
6)     No sustento dos mesmos (2Co 11:8-9; Fp 2:25; 4:15-18);
7)     No encontro em Trôade (At 20:4-7)
8)     No relatório da primeira viagem missionária (At 14:21-28);
9)     Também podemos ver a cooperação como meio de assistência às igrejas (At 12:22-26; 14:21-23; 2Co 11:28).

A unidade da igreja
A unidade da Igreja é uma doutrina neotestamentária ensinada com muita clareza (Jo 17:20-21; Cl 1:18; 3:15; 1Co 12:13; Rm 16:17-18; Tt 3:10-11). Porém, não há unidade na Igreja de Deus em nossos dias. O autor da Teologia Sistemática mais aceita entre os batistas no final do século XX comenta sobre esse paradoxo dizendo:

“Vemos incontáveis denominações, às vezes bem semelhantes quanto ao ensino, competindo umas com as outras. E os relacionamentos entre os membros da Igreja local são às vezes caracterizados por indiferença e a até hostilidade aberta” (Ericksson, 438).

Mas, como surgiu o denominacionalismo? Confira abaixo uma explicação de como surgiu a Teoria Denominacional da Igreja:

“A palavra ‘denominação’ para descrever um grupo religioso passou a ser utilizada por volta de 1740, durante o início do Reavivamento Evangélico liderado por John Wesley e George Whitefield. Mas a teoria em si foi elaborada um século antes por um grupo de líderes radicais puritanos na Inglaterra e na América do Norte. O denominacionalismo, como originalmente era designado, é o oposto do sectarismo. Cada seita clama para si, exclusivamente, a autoridade de Cristo. Acredita-se que é o verdadeiro corpo de Cristo; toda verdade lhe pertence, e não a nenhuma outra religião, Portanto, por definição, a seita é exclusiva. A palavra ‘denominação’ é, por sua vez, um termo inclusivo. Ela implicava que cada grupo cristão chamado ou ‘denominado’ por um nome particular era apenas um membro de um grupo grande – a igreja à qual todas as denominações pertencem. A teoria denominacional da igreja insiste em que a verdadeira igreja não pode se identificar com uma única estrutura eclesiástica. Nenhuma denominação pretende representar toda a igreja de Cristo... Os verdadeiros arquitetos da teoria denominacional da igreja foram os Independentes ‘congregacionalistas’ do século XVII, que representavam a voz minoritária na Assembleia de Westminster (1642-1649). A maioria da Assembleia concordava com os princípios presbiterianos, e expressou suas convicções classicamente na Confissão de Fé de Westminster e no grande e no pequeno catecismo de Westminster... Essa fraternidade dissidente de Westminster articulou a teoria denominacional da igreja em algumas verdades fundamentais. Primeiro, considerava-se a incapacidade do homem de sempre enxergar a verdade com clareza, diferenças de opinião sobre a aparência da igreja são inevitáveis. Segundo, apesar dessas diferenças não envolverem fundamentos da fé, não são de menor importância. Cada cristão deve praticar aquilo que ele acredita que a Bíblia ensina. Terceiro, como nenhuma igreja detém a definitiva e completa verdade divina, a verdadeira igreja de Cristo nunca pode ser totalmente representada por apenas uma estrutura eclesiástica. Finalmente, o simples fato de separação, em si, não constituir cisma. É possível haver divisões e ao mesmo tempo estar unido em Cristo... Essa visão denominacional da igreja só encontrou pouca aceitação na Inglaterra onde a igreja desfrutava de uma posição favorável, mesmo depois que o Ato de Tolerância de 1689 reconheceu os direitos dos presbiterianos, congregacionalistas, batistas e quakers adorarem livremente... Poucos defensores da visão denominacional da igreja do século XVII vislumbraram as centenas de grupos cristãos que há hoje... Eles simplesmente sabiam que a intolerância tradicional e o derramamento de sangue em nome de Jesus não deveriam continuar. A forma denominacional da igreja, no final das contas, marcou os recentes séculos da história cristã não devido ao seu ideal, mas por ser melhor do que qualquer outra alternativa que tenha surgido” (Shelley, 340-342).

A Bíblia, todavia, não fala em nenhuma denominação e já vimos que a Igreja não é uma denominação. Portanto, “como crentes, deveríamos estar perseguindo a unidade, pois essa é a vontade declarada de Cristo para a Igreja” (Ericksson, 438). Por isso concordamos com Millard J. Erickson:

“Com certeza, os crentes devem desejar e buscar a concretização de uma unidade espiritual e, na medida do possível, o reconhecimento e a comunhão mútua. Cada pessoa e congregação terá que determinar até que ponto o envolvimento maior e a atividade cooperativa são coerentes com a preservação de suas convicções bíblicas e com o cumprimento da tarefa dada pelo Senhor” (Ericksson, 439).

As Igrejas de Cristo no Brasil ensinam o conceito que a Igreja é uma irmandade universal, demonstrando-o por meio da cooperação com as igrejas de outras comunhões, mantendo normas éticas de respeito e boa vontade para com elas. Também cremos na possibilidade da unidade de todos os cristãos e nos confraternizamos com pessoas de outras denominações cristãs, mediante a adoração, o estudo bíblico, a missão e o serviço, sempre que possível.

Todavia, não podemos e nem devemos esquecer a nossa herança na Reforma Presente do século XIX (Movimento de Restauração ou Movimento Stone-Campbell) que é caracterizado pela defesa do retorno ao Evangelho e à Igreja do Novo Testamento, apelo este que sempre fez parte da mensagem das Igrejas Cristãs e Igrejas de Cristo, desde seu início cerca de duzentos anos atrás, e que deve continuar sendo feito por nós hoje, sem nenhum sectarismo ou proselitismo, até vermos a plena unidade cristã ou Jesus voltar.
Pedro Agostinho Jr.,
Pastor da Igreja de Cristo







Fontes:

THIESSEN, Henry C. Palestras em Teologia Sistemática, Editora Batista Regular.
JIMENEZ, Pablo A. El Bautismo en la Iglesia Cristiana (Discípulos de Cristo), disponível na internet no site www.disciples.org .
ERRETT, Isaac. Nossa Posição: uma sinopse da fé e da prática da Igreja de Cristo, disponível na internet no site www.movimentoderestauracao.com .
SOTO, Fernando. La Reforma Presente (citando “Memoirs of Alexander Campbell”, de Robert Richardson).
JIMENEZ, Pablo A. La Cena del Señor en la Iglesia Cristiana (Discípulos de Cristo), disponível na internet no site www.disciples.org .
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática, Vida Nova.
SIZEMORE, Denver. Lecciones de Doctrina Bíblica, volumen I, American Rehabilitation Ministries and The American Bible Academy, Joplin, Missouri (citando “Los Padres Apostólicos con Justino Martir y Irenaeus” de A. Cleveland Moxe, pág. 185 e 186).
ERICKSON, Millard J. Introdução à teologia sistemática, Vida Nova.
SHELLEY, Bruce L. História do Cristianismo ao alcance de todos: uma narrativa do desenvolvimento da Igreja Cristã através dos séculos, Shedd Publicações.





O ministério nas igrejas do Novo Testamento

 


Natureza, Qualificações e Deveres dos Ministros Cristãos


Definição
Um ministro cristão é alguém que exerce um ofício, função ou ministério eclesiástico (ex.: presbíteros e diáconos). Historicamente, os ministros são chamados de oficiais. Um oficial da igreja é alguém publicamente reconhecido como detentor do direito e da responsabilidade de desempenhar certas funções para o benefício de toda a igreja (Grudem, 759). O Novo Testamento nos revela a natureza, qualificações e deveres dos oficiais das Igrejas de Cristo e se nós quisermos seguir hoje em dia a prática da igreja primitiva devemos ordenar nas igrejas os mesmos oficiais (Thiessen, 299). Esse sentimento deve nos reger na escolha dos nossos líderes, pois somos comprometidos com a tradição do Movimento de Restauração (Movimento Stone-Campbell), que surgiu buscando a unidade da Igreja e a restauração do cristianismo primitivo. Portanto, vejamos o que as Escrituras dizem sobre os oficiais das igrejas bíblicas.

Ministério Geral
Nos tempos bíblicos havia um ministério geral que era exercido com relação às igrejas de modo geral mais do que em relação a uma igreja em particular (Pearlman, 226). Esses oficiais eram os seguintes:

1. Apóstolos. Estes oficiais foram homens especialmente escolhidos e comissionados pelo próprio Senhor Jesus (Mt 10:1-7; Rm 1:1). Uma outra característica distintiva dos apóstolos era ser uma testemunha ocular da ressurreição de Jesus Cristo (At 1:22; 1Co 9:1-2). Além das qualificações citadas acima, os apóstolos sabiam que eram inspirados pelo Espírito Santo em seu ensino oral e escrito (At 15:28; 1Co 2:13; 1Ts 4:8; 1Jo 5:9-12), desempenhando a mesma função dos profetas do Velho Testamento, ou seja, a autoridade para falar e escrever palavras que eram palavras de Deus. A mensagem anunciada pelos apóstolos era confirmada por suas credenciais sobrenaturais (2Co 12:12). Além dos doze apóstolos originais, Barnabé, Paulo e Tiago são citados pelo Novo Testamento como tais (At 14:14; Gl 1:19), mas não há nenhuma base bíblica para afirmar que houve outros além desses. Hoje ninguém pode preencher o requisito de ter visto Jesus ressuscitado com os próprios olhos, portanto não há apóstolos em nossos dias.
2. Evangelistas. As páginas do Novo Testamento relatam a existência dos evangelistas (At 21:8; Ef 4:11; 2Tm 4:5), que auxiliavam os apóstolos na missão de anunciar o Evangelho, estabelecer e organizar igrejas (Tt 1:5; 1Tm 5:22; Tt 3:10; 2Tm 4:2-5). Filipe, Marcos, Timóteo e Tito pertenciam a esta classe de oficiais na igreja bíblica. Alguns estudiosos afirmam que este ofício desapareceu com os apóstolos que os ordenavam. Todavia, há outros intérpretes que defendem a sua continuidade e igrejas que ordenam hoje em dia evangelistas para levar a mensagem aos incrédulos (missionários) e organizar igrejas (pôr as coisas restantes em ordem, guiando a igreja, Tt 1:5; 1Co 16:15-18; Hb 13:7,17).
3. Profetas. Homens e mulheres também são citados no Novo Testamento como profetas. Eles são mostrados revelando algo que Deus trouxe de modo espontâneo à sua mente (At 11:28; 13:1-2; 15:32; 1Co 12:10; 14:3; Ef 2:20; 3:5; 4:11), mas não falavam com autoridade equivalente à das palavras das Escrituras (At 21:4, 20-21; 1Ts 5:19-21; 1Co 14:29-38) que era uma função exclusiva dos apóstolos.
4. Mestres. O ofício de mestre também aparece nas Escrituras (At 13:1; 1Co 12:28-29; Tg 3:1) e os apóstolos, evangelistas e pastores desempenharam essas função (2Tm 1:11; Tt 2:3; Ef 4:11). Embora não existam qualificações explícitas em todo o Novo Testamento para esses oficiais, supõem-se que eles deveriam ser aptos para o ensino.

Ministério Local
Já o ministério local das igrejas do primeiro século as Escrituras mostram apenas dois oficiais. São eles:
1. Presbíteros, bispos e pastores. Estes três nomes são aplicados para uma mesma função no Novo Testamento. Os "presbíteros" da igreja em Éfeso foram constituídos em "bispos" sobre o rebanho, com a finalidade de "alimentar" (pastorear, poimainein) a igreja de Deus (At 20:17, 28). Em 1Pedro 5:1-2 os deveres de um "pastor" são atribuídos aos "presbíteros". Em Tito 1:5-9, os termos "presbítero" e "bispo" são usados intercambiavelmente (Thiessen, 299). Todavia, o substantivo "pastor" (poimen) não é usado para se referir aos oficiais da igreja, mas o verbo relacionado que significa "agir como um pastor de ovelhas" (poimaino) é aplicado aos presbíteros (At 20:28; 1Pe 5:2). O termo "bispo" é uma tradução diferenciada da palavra grega episkopos que também é aplicada aos presbíteros, conforme já vimos em Atos 20:28 (Grudem, 765 e 766) e significa "superintendente" ou "supervisor". O nome "presbítero" (presbutero) significa "mais velho" ou "ancião" e eles são citados no livro dos Atos dos Apóstolos (At 11:30; 14:23; 15:6, 22; 16:4; 20:17, 28; 21:18). Compete aos presbíteros presidir (1Tm 5:17), liderar (1Pe 5:2-5), cuidar (1Tm 3:4-5), ensinar (Ef 4:11; 1Tm 3:2), se dedicar à palavra e ao ensino (1Tm 5:17) e, ainda, exortar pelo reto ensino e convencer os que o contradizem (Tt 1:9). Quanto às suas qualificações, os presbíteros juntam traços do caráter e atitudes íntimas com requisitos que não podem ser preenchidos em curto espaço de tempo, senão em um período de muitos anos de vida cristã fiel (Grudem, 768). Elas podem ser encontradas em 1Timóteo 3:1-7 e Tito 1:5-9 e são as seguintes:

Ser prudente (1Tm 3:2; Tt 1:8);
Ser hospitaleiro (1Tm 3:2; Tt 1:8);
Ser apto para ensinar (1Tm 3:2; 5:17; Tt 1:8);
Não ser violento, mas amável (1Tm 3:3; Tt 1:7);
Ser pacífico (1Tm 3:3);
Não ser apegado ao dinheiro (1Tm 3:3);
Não ser recém-convertido (1Tm 3:6);
Ter boa reputação perante os de fora (1Tm 3:7);
Não ser orgulhoso (Tt 1:7);
Não ser briguento (Tt 1:7);
Ser amigo do bem (Tt 1:8);
Ser justo e consagrado (Tt 1:8);
Ter domínio próprio (Tt 1:8);
Ser irrepreensível (1Tm 3:2; Tt 1:6);
Ser sóbrio (1Tm 3:2; Tt 1:7);
Ser respeitável (1Tm 3:2);
Não ser apegado ao vinho (1Tm 3:3; Tt 1:7);
Não ser ávido por lucro desonesto (Tt 1:7);
Ser apegado à palavra fiel (Tt 1:9);
Ser marido de uma só mulher (1Tm 3:2; Tt 1:6);
Saber governar a própria família (1Tm 3:4);
Manter os filhos sujeitos (1Tm 3:4-5; Tt 1:6).

A pluralidade de presbíteros parece ser o padrão das Igrejas no Novo Testamento (At 14:23; 20:17; Tt 1:5; Tg 5:14; 1Pe 5:1-2), seja em cada igreja (At 14:23) ou em cada cidade (Tt 1:5).

1.1 O que significa ser "marido de uma só mulher" em 1Timóteo 3:2 e Tito 1:6? Essa exigência tem sido compreendida de várias maneiras pelos estudiosos do Novo Testamento e é motivo de controvérsia. Alguns intérpretes a entendem como uma proibição ao concubinato ou à poligamia, outros vêem como uma restrição à ordenação de presbíteros divorciados e que estão em um novo casamento e, por fim, há ainda os que se opõem a ordenação daqueles que ficaram viúvos e se casaram novamente (digamia). Porém, entendemos que: (1) Todas as qualificações se referem ao estado presente de um homem, não a toda sua vida passada. Por exemplo, não significa que "aquele que nunca foi violento, amante do dinheiro ou que sempre foi irrepreensível, mas aquele que não é violento, não é amante do dinheiro e irrepreensível agora"; (2) Caso quisesse o apóstolo Paulo poderia ter usado a expressão "casado uma só vez" (hapax gegamemenos usada em Hebreus 10:2 e semelhantemente em Hebreus 9:26. Expressões com verbos no aoristo são achadas em Hebreus 6:4; 9:28 e Judas 3. O particípio perfeito ginomai, isto é, "tendo sido marido de uma só mulher" (gegonos mias gynaikos andra) também poderia ter sido usada), mas não o fez; (3) Assim, não impedimos que viúvos que se casaram de novo sejam ordenados, desde que preencham as outras qualificações morais e espirituais; (4) Por fim, entendemos que a expressão "esposo de uma só mulher" proíbe a ordenação de homens que possuem mais de uma mulher (poligamia) ou é infiel a sua cônjuge (Grudem, 769). Em outras palavras, o presbítero deve ter uma vida conjugal monógama. É importante esclarecer que as Escrituras não impedem que um homem solteiro se torne pastor. Pelo que sabemos, é provável que o apóstolo Paulo fosse solteiro (MacArthur, 114). O solteiro qualificado não é descartado, mas preferencialmente os presbíteros devem ser "mais velhos", casados e ter filhos. "Onde a Bíblia fala, nós falamos; Onde a Bíblia cala, nós calamos". Devemos ter o cuidado de não proibir o que a Bíblia não proíbe.

1.2. O que Tito 1:6 quer dizer com filhos "crentes" ou "fiéis"? Em Tito 1:6 o termo grego pistos pode ser traduzido das duas maneiras e assim os estudiosos têm se dividido. Tanto "crentes" (no sentido de serem convertidos a Cristo) como "fiéis" (no sentido de serem "dignos de confiança" dos pais) podem ser usados corretamente. A palavra pistos pode significar "eu creio", "fé", mas também pode ser traduzida por "fidelidade". Seu oposto, que no grego corresponde à palavra apistos, significa "incredulidade" ou "infidelidade" (Pinto e Metzger, 36 e 64). Portanto, para nós a segunda opção ("fidelidade", "digno de confiança") parece ser a mais apropriada, pois dessa forma Tito 1:6 não contradiz 1Timóteo 3:4 onde está escrito que o bispo deve governar bem a sua casa e ter os seus filhos em sujeição (sob disciplina). Além disso, a palavra pistos foi traduzida por "fiel" em 1Timóteo 1:12 com o sentido de ser digno de confiança e fidelidade. Já a sua forma feminina, que aparece com o mesmo sentido em 1Timóteo 3:11 em referência às mulheres (diaconisas), é traduzida como "fiéis" (RC) ou "confiáveis" (NVI). Por isso os filhos dos pastores, quer sejam crianças pequenas ou adultos ainda vivendo com os pais, pois a palavra grega usada (tékna) significa filhos e filhas em geral, não devem ser acusados de dissolução (libertinagem) nem insubordinação (rebeldia). A palavra traduzida aqui por dissolução (asotia) significa "deboche", "devassidão", que em Efésios 5:18 é associada a bebedeiras, folias e festivais pagãos. Literalmente significa "não poupar nada" (MacArthur, 116). O foco são os pecados sexuais ou grosseiros (ex.: alcoolismo, dependência química), embora não esteja limitado a tal significação. Já o termo traduzido como rebeldia, insubordinação ou desobediência (anupotakos) descreve uma das "tentações que assolam os jovens, cujas personalidades são instáveis, aos quais, naturalmente, faltam respeito aos pais, anciãos e autoridades devidamente constituídas. Ainda que o homem tenha todas as qualificações para o presbitério, se não tiver podido controlar seus filhos, e ainda que isso não seja culpa sua, não poderá ser presbítero, pastor ou bispo" (Champlin, Vol. 5, 418). Portanto, Tito quis dizer que os filhos dos bispos devem ser dignos da confiança deles e não sejam rebeldes ou andem dissolutamente. Por fim, vale ressaltar que o Novo Testamento não diz absolutamente nada que impeça que um homem casado qualificado e sem filhos seja bispo.

1.3 Podem as mulheres ser pastoras? O papel da mulher na Igreja de Cristo é um assunto muito importante. Diferenças neste assunto têm dividido muitas igrejas e por isso não deve ser menosprezado. Sabemos que existem várias interpretações dos textos bíblicos e muitas opiniões diferentes quanto a este tema. Porém, esse assunto doutrinário importantíssimo está na categoria de assuntos não-essenciais, ou seja, de opinião. Eu entendo que Deus criou homens e mulheres iguais em importância, pois ambos são dotados da imagem divina (Gn 1:26-31) e reconheço que a Igreja não tem ensinado e praticado essa igualdade, esquecendo que as mulheres têm acesso a todas as bênçãos da salvação (At 2:17-18; Gl 3:26-28) e o elevado grau de respeito e dignidade que Jesus Cristo dispensou a elas (Grudem, 786).

No Novo Testamento existem dois textos-chave sobre esse assunto. Em 1Timóteo 2:11-14 parece que o apóstolo está se referindo ao culto público da igreja. Neste contexto, as mulheres não têm permissão para ensinar nem ter autoridade sobre o homem. O ensino e a autoridade são funções exclusivas de um pastor, presbítero ou bispo e é isso que Paulo está proibindo aqui. Aos pastores é requerido os deveres de supervisão, ensino, pregação, direção, pastoreio e proteção da igreja contra as heresias. Portanto, as mulheres não podem ocupar oficialmente a função pastoral sem colidir com esta passagem doutrinária. E isto também está baseado na ordem da criação, nos princípios estabelecidos por Deus para o homem e a mulher antes da queda e a entrada do pecado no mundo. Ao homem coube a liderança na família e foi a quebra deste princípio por Eva, que enganada por Satanás inverteu os papéis de masculino e feminino, pecou e conduziu seu marido ao pecado se tornando transgressora (Grudem, 787).

A outra passagem fundamental na nossa visão do papel da mulher na igreja também foi escrita por Paulo, só que para os irmãos na cidade de Corinto. Em 1Coríntios 14:33-36 o apóstolo, inspirado pelo Espírito Santo, está se referindo novamente à uma função exclusiva dos pastores. Observe no contexto o versículo 29 que diz assim: "Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e outros julguem cuidadosamente o que foi dito". Parece que o contexto aqui é a avaliação e julgamento das profecias proclamadas publicamente na igreja. Assim, entendemos que 1Coríntios 14:33b-36 está proibindo as mulheres de fazerem uma avaliação e julgamento das profecias na congregação, que seria uma função de autoridade sobre toda a igreja local e isto é exclusivo dos pastores. Paulo não está proibindo as mulheres de falarem na igreja, pois em 1Coríntios 11:5 ele permite que elas falem (profetizem) na reunião pública da igreja. Assim como as filhas de Felipe profetizavam na Igreja de Cristo em Cesaréia (Atos 21:8-9), as mulheres também profetizavam na Igreja de Cristo em Corinto. Os ensinos paulinos em 1Timóteo 2 e 1Coríntios 14 não são incoerentes, pois nestes dois textos ele está preocupado em manter a liderança masculina (pastores, presbíteros ou bispos) no ensino e governo da igreja (Grudem, 788).

Portanto, as mulheres não podem ser pastoras, presbíteras ou bispas na Igreja de Cristo. Porém, o Senhor nosso Deus concedeu às mulheres dons para o exercício dos ministérios, liderança dos grupos de cristãos nas casas, obras missionárias, entre outras atividades na igreja. No culto público, com a permissão dos presbíteros, elas também podem fazer uma oração, cantar, testemunhar e etc. As igrejas que ordenam mulheres para o ofício pastoral perdem pontos no quesito "pureza da igreja", mas isso não quer dizer que elas deixem de ser igrejas verdadeiras e que a nossa comunhão deva ser rompida. Pelo contrário, a unidade deve sempre ser preservada.

Graças a Deus, em nosso Movimento a autonomia das congregações locais é inviolável. Ninguém e nenhuma associação, ministério ou instituição tem o direito de intervir na igreja em uma determinada localidade geográfica. Se uma igreja quer ordenar ou não as mulheres para o ministério pastoral, diaconal ou qualquer outro cargo ou função, que assim faça no exercício da sua liberdade e independência. "Interpretações e deduções das Escrituras, embora podendo ser verdadeiras, não se podem transformar em mandamentos e ordenanças da Igreja. Opiniões divergentes quanto a tais interpretações não se deverão transformar em empecilho para se comungar na Igreja", assim decidiram os obreiros das Igrejas de Cristo no Planalto Central do Brasil em 1987 (As Marcas das Igrejas de Cristo).

2. Diáconos. A palavra grega traduzida literalmente como "diácono" (diakonos) é um substantivo usado tanto no masculino como no feminino e quer dizer "servo", "ministro", "cooperador" ou qualquer outro sinônimo (Fp 1:1). No Novo Testamento os diáconos eram pessoas de reconhecida piedade, estimadas por sua prudência e bem conceituados na igreja e na sociedade. Muito provavelmente os sete homens eleitos para cuidar das viúvas pobres foram os primeiros diáconos da igreja primitiva (At 6:1-6). Compete aos diáconos, coletivamente ou individualmente, a incumbência de cuidar dos pobres, exercer a beneficência e arrecadar as ofertas em geral, podendo desempenhar quaisquer comissões administrativas dadas pelos pastores, presbíteros ou bispos.

Quanto ao fato das mulheres poderem exercer esse ofício, o Novo Testamento parece indicar que a irmã Febe era uma "diácono", ou seja, uma serva na Igreja de Cristo em Roma (Rm 16:1). Evódia e Síntique também são citadas exercendo na Igreja de Cristo em Filipos uma função semelhante a exercida por Febe em Roma (Fp 4:2-3). Parece que Trifena e Trifosa em Roma da mesma forma (Rm 16:12). É possível que 1Timóteo 3:11 também aluda a este cargo, pois não há indicação alguma no original de que o versículo 11 fala das esposas dos diáconos (Thiessen, 301). Na história da Igreja existe o registro que Plínio, governador da Bitínia, por volta de 110 d.C. interrogou sob torturas duas mulheres chamadas "diaconisas" na igreja cristã (Epístola XCVI). No final do segundo século é mencionada a existência de "diaconisas" (Constituições Apostólicas 2:26 e 3:7,15). Crisóstomo (407 d.C.), quando era pastor na igreja em Constantinopla contava com 80 diáconos e 40 diaconisas em sua assistência. Após a Reforma Protestante, menonitas, luteranos, presbiterianos, episcopais, metodistas e outras igrejas têm escolhido diaconisas para o ministério (Champlin, Vol. 3, 874). No Movimento de Restauração (Movimento Stone-Campbell), nossa principal herança histórica e doutrinária, Alexander Campbell escreveu corretamente em "O Cristão Batista" (no. 4, 1826) que homens e mulheres podiam ser "diáconos". Portanto, de acordo com o ensino do Novo Testamento, o testemunho da história da Igreja e do Movimento de Restauração, podemos concluir que homens e mulheres serviam neste importante ministério nas igrejas primitivas. As qualificações dos "diáconos" (homens e mulheres) se encontram em 1Timóteo 3:8-13:

Ser sóbrio (1Tm 3:8,11);
Ser respeitável (1Tm 3:8,11);
Não ser apegado ao vinho (1Tm 3:8);
Não ser ávido por lucro desonesto (1Tm 3:8);
Ser apegado ao mistério da fé com a consciência limpa (1Tm 3:9);
Ser irrepreensível (1Tm 3:9);
Ser experimentado (1Tm 3:10);
O homem deve ser marido de uma só mulher (1Tm 3:12);
Saber governar a própria família (1Tm 3:12);
Manter os filhos sujeitos (1Tm 3:12);
A mulher não deve ser maldizente, caluniadora (1Tm 3:11);
Ser fiel em tudo, confiável (1Tm 3:11).

E quanto aos outros cargos que não são mencionados no Novo Testamento?
Sabemos que as igrejas hoje, como uma entidade jurídica, têm vários cargos nas suas diretorias tais como tesoureiros e secretários. Muitas igrejas também têm funcionários remunerados como ministros de música, jovens, crianças, diretores de educação e etc. É importante afirmar que estes cargos não existiam no Novo Testamento e que dentro do nosso Movimento há uma tendência que afirma que eles são desnecessários. Porém, essa é uma opinião extremada e nesse assunto, assim como em muitos outros, devemos buscar uma posição mais equilibrada e centrista. Os cargos surgidos em decorrência da legalização da igreja enquanto associação civil religiosa sem fins lucrativos (diretoria) devem ser mantidos e colocados debaixo da supervisão dos presbíteros, aos quais devem ser submissos e prestar contas. Quando houver condições de eleger diáconos para essas funções, devemos fazê-lo. Não devemos esquecer o conselho do Senhor Jesus: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" (Mc 12:17). Quanto aos demais cargos, se houver necessidade de criá-los, o princípio é o mesmo. Uma igreja bíblica tem presbíteros nas funções de ensino e governo, auxiliados pelos diáconos. Se houver necessidade de outros cargos e funções, eles devem estar debaixo da liderança bíblica da igreja.


Pedro Agostinho Jr.,
Pastor da Igreja de Cristo







Fontes:
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática, Vida Nova.
THIESSEN, Henry C. Palestras em Teologia Sistemática, Editora Batista Regular.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Editora Vida.
MacARTHUR, John. Redescobrindo o Ministério Pastoral, CPAD.
PINTO E METZGER. Estudos do Vocabulário do Novo Testamento, Vida Nova.
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Editora Hagnos.
OBREIROS das Igrejas de Cristo no Planalto Central do Brasil. As Marcas das Igrejas de Cristo, 1987, sem ed.

Bíblias:
BENVI. Bíblia de Estudo NVI, Editora Vida.
BEP. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD